A autenticação 802.1X é o padrão IEEE de controle de acesso à rede baseado em porta (PNAC) que bloqueia qualquer dispositivo até que sua identidade seja validada por um servidor RADIUS, usando o framework EAP. Ela funciona em redes com fio e Wi-Fi e é a base do WPA2-Enterprise e do WPA3-Enterprise. Na empresa, substitui a senha compartilhada por credenciais individuais, certificados digitais ou integração com Active Directory e LDAP.
Uma senha compartilhada conecta pessoas, mas não diz quem está por trás de cada acesso. Quando um colaborador sai da empresa, a senha continua a mesma. Quando acontece um incidente, os registros mostram um endereço sem dono.
O 802.1X resolve esse problema na origem: cada usuário ou dispositivo se identifica antes de receber um endereço IP. Isso vale para o notebook da diretoria, para o celular do colaborador e para a porta de switch livre na sala de reunião.
Aqui você encontra o protocolo 802.1X de ponta a ponta, mas também o que vem depois da definição: quando usar, como implementar com Active Directory ou Entra ID, quais métodos EAP escolher e como evitar os erros que mais geram chamados para a TI.
Principais pontos
- O 802.1X tem três componentes: supplicant (dispositivo), authenticator (switch ou access point) e servidor de autenticação (normalmente RADIUS).
- A autenticação acontece em cinco fases: iniciação, autenticação, autorização, auditoria e encerramento.
- EAP-TLS, com certificados, é o método mais seguro. PEAP-MSCHAPv2 ainda é o mais comum, mas perdeu espaço no Windows 11.
- Impressoras, câmeras e sensores IoT sem suporte ao padrão precisam de uma política própria, como MAC bypass em VLAN isolada.
- O 802.1X pode rodar sobre os APs e switches que a empresa já tem, desde que sejam compatíveis.
O que é autenticação 802.1X?
A autenticação 802.1X é um padrão do IEEE que controla o acesso à rede porta a porta, liberando o tráfego só depois que a identidade do usuário ou do dispositivo é confirmada. No contexto corporativo, isso significa que nenhum notebook, smartphone ou dispositivo IoT obtém conectividade, nem mesmo um endereço IP, antes de passar pela autenticação.
Isso vale mesmo que a pessoa conheça o nome da rede (SSID) ou esteja com o cabo plugado em uma tomada do escritório. Antes da autenticação, a porta só deixa passar as mensagens do próprio processo de login, chamadas EAPOL.
O 802.1X não é um método de autenticação em si. Ele funciona como o envelope: define como as credenciais trafegam entre o dispositivo, o equipamento de rede e o servidor que decide. Quem valida, de fato, é o servidor RADIUS, consultando a base de identidade da empresa.
O padrão IEEE 802.1X e o controle de acesso por porta
O IEEE 802.1X é o padrão do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos para Port-based Network Access Control (PNAC). Cada porta de switch ou associação a um access point começa bloqueada e só é liberada após a autenticação.
O padrão vale para redes cabeadas (Ethernet, IEEE 802.3) e sem fio (Wi-Fi, IEEE 802.11). A revisão em vigor é a IEEE 802.1X-2020.
Glossário rápido
- 802.1X: padrão IEEE de controle de acesso por porta, aplicado a redes com fio e Wi-Fi.
- 802.1X e 802.11: o 802.11 é o padrão do Wi-Fi; o 802.1X é o controle de acesso aplicado sobre ele e sobre a rede cabeada.
- Dot1x: forma abreviada de 802.1X, comum na configuração de switches e roteadores, como Cisco e Mikrotik.
- EAP: Extensible Authentication Protocol, o framework que define como as credenciais são trocadas.
- EAPOL: EAP over LAN, o formato usado entre o dispositivo e o switch ou access point.
- RADIUS: protocolo do servidor que valida as credenciais e devolve a decisão de acesso. Veja como funciona o radius.
- VLAN dinâmica: segmento de rede atribuído pelo RADIUS conforme o perfil de quem se autenticou.
Quais os componentes do 802.1X e suas funções
Os componentes do 802.1X são três: o supplicant, que pede acesso; o authenticator, que controla a porta; e o servidor de autenticação, que decide. Na rede corporativa, um quarto elemento completa o desenho: a base de identidade onde estão usuários, grupos e certificados.
Pense no 802.1X como a catraca de um prédio corporativo. Sem crachá, ninguém entra. O crachá é vinculado à identidade da pessoa, libera só os andares permitidos e tudo fica registrado: quem passou, onde e quando.
- Supplicant (dispositivo do usuário): o software no notebook, smartphone, tablet, coletor ou impressora que solicita acesso. Windows, macOS, iOS, Android e a maioria das distribuições Linux já trazem supplicant nativo.
- Authenticator (switch ou access point): o equipamento entre o dispositivo e o servidor. Ele não decide nada: bloqueia a porta, repassa a conversa EAP e aplica o resultado. Pode ser um switch gerenciável ou um access point de fabricantes como Cisco, Aruba, Fortinet, Ruckus, Ubiquiti, TP-Link Omada ou Mikrotik, onde o recurso aparece como dot1x.
- Servidor de autenticação (normalmente RADIUS): valida as credenciais e responde com aceitação ou recusa, junto com atributos como a VLAN. Exemplos: Microsoft NPS, Cisco ISE, FreeRADIUS ou um radius na nuvem.
- Base de identidade: onde ficam usuários, grupos e certificados. Pode ser Active Directory, Entra ID, LDAP ou Google Workspace.
Separar esses papéis é o que torna o 802.1X centralizado. A política fica em um lugar só, mesmo com dezenas de unidades e fabricantes diferentes de APs e switches.
Como funciona a autenticação 802.1X na prática
A autenticação 802.1X acontece em cinco fases: iniciação, autenticação, autorização, auditoria e encerramento. No dia a dia da TI, isso significa que a decisão de quem entra, e em qual segmento da rede, é tomada pelo servidor RADIUS a cada conexão, sem liberação manual por dispositivo.
- Encerramento: a sessão termina quando o dispositivo se desconecta, o tempo expira ou a TI força a saída. Para derrubar uma sessão ativa, o servidor envia uma mensagem de Change of Authorization (CoA) ao equipamento, recurso que depende de suporte do fabricante.
- Iniciação: o dispositivo (supplicant) se associa ao SSID corporativo ou é plugado em uma porta de switch. O authenticator mantém a porta bloqueada e pede a identidade do dispositivo por EAPOL.
- Autenticação: o authenticator encapsula a conversa EAP em mensagens RADIUS e a repassa ao servidor. Dispositivo e servidor negociam o método EAP, como EAP-TLS ou PEAP-MSCHAPv2, protegidos por TLS, e o servidor confere as credenciais na base de identidade.
- Autorização: se tudo confere, o RADIUS responde com Access-Accept e pode enviar atributos de política, como VLAN, ACL ou tempo de sessão. O authenticator libera a porta e aplica o perfil. Se não confere, a resposta é Access-Reject e a porta continua fechada.
- Auditoria: o RADIUS accounting registra início, duração e fim da sessão, com usuário, dispositivo, AP e endereço. É o que permite responder depois quem estava conectado, onde e quando.
Para o usuário, esse fluxo leva poucos segundos e, com o perfil configurado, acontece sem digitar senha a cada conexão. Para a TI, cada fase deixa um registro auditável.
Quais métodos EAP usar no 802.1X?
Os métodos EAP definem como as credenciais são transmitidas e validadas dentro do 802.1X. Na rede corporativa, a escolha do método determina o nível de segurança, o trabalho de preparar cada dispositivo e a necessidade de manter uma infraestrutura de certificados (PKI).
| Método EAP | Certificado no cliente | Segurança | Esforço da TI | Melhor uso | BYOD |
|---|
| EAP-TLS | Sim | Muito alta | Alto: exige PKI e distribuição por MDM ou GPO | Dispositivos gerenciados | Baixa sem ferramenta de onboarding |
| PEAP-MSCHAPv2 | Não | Média | Baixo | Transição em ambientes com Active Directory | Alta |
| EAP-TTLS | Não | Média a alta, conforme o método interno | Médio | Ambientes mistos, Linux e Android | Alta |
| EAP-FAST | Não (usa PAC) | Alta | Médio | Legado Cisco | Média |
| PEAP-GTC | Não | Depende do segundo fator | Médio | Senha de uso único (OTP) | Média |
EAP-TLS é o método mais seguro. Servidor e dispositivo se autenticam por certificado digital, então não existe senha para ser capturada. O custo é operacional: a empresa precisa de uma PKI e de um processo para entregar certificados, normalmente via MDM (Intune, Jamf, Workspace ONE) ou Group Policy.
PEAP-MSCHAPv2 ainda é o ponto de partida mais comum em empresas com Active Directory, porque usa o mesmo login e senha da rede. Dois cuidados são obrigatórios:
- Validar o certificado do servidor RADIUS no perfil do dispositivo. Sem essa validação, um AP falso (Evil Twin) pode coletar credenciais.
- Planejar a migração para certificados. A Microsoft ativa o Credential Guard por padrão em dispositivos elegíveis atualizados para o Windows 11 22H2. Com ele ativo, o login automático em redes MSCHAPv2 deixa de funcionar, e a própria Microsoft recomenda migrar para EAP-TLS (documentação da Microsoft).
Na prática: EAP-TLS para notebooks gerenciados, PEAP ou EAP-TTLS como transição ou para dispositivos pessoais, e um plano para reduzir a dependência de senha ao longo do tempo.
Onde a autenticação 802.1X é mais utilizada
A autenticação 802.1X é mais utilizada em redes que precisam saber quem está conectado e separar perfis de acesso. No ambiente corporativo, isso significa empresas com muitos colaboradores, várias unidades ou exigências de auditoria.
- Redes corporativas segmentadas: colaboradores, visitantes e dispositivos IoT em segmentos diferentes.
- Ambientes regulados: hospitais, bancos e cooperativas, instituições de ensino e governo.
- Empresas com diretório corporativo: Active Directory, Entra ID, LDAP ou SAML como fonte de identidade.
- Operações multiunidade: varejo, indústria e logística, onde a mesma política precisa valer em todas as lojas, fábricas e centros de distribuição.
- Redes cabeadas em áreas de circulação: recepções, salas de reunião e auditórios, onde qualquer pessoa poderia plugar um notebook em uma tomada de rede livre.
Numa rede real, o 802.1X raramente trabalha sozinho. Veja como uma clínica médica organiza os acessos:
- Colaboradores entram por 802.1X com o login corporativo do Active Directory e caem na VLAN administrativa.
- Médicos visitantes recebem voucher temporário em um SSID separado.
- Pacientes passam por um captive portal com login social e navegam isolados da rede interna.
- Impressoras e tablets fixos são reconhecidos pelo endereço MAC e ficam em uma VLAN restrita.
Cada grupo é autenticado de forma distinta e recebe acesso só ao que precisa. O resultado é uma rede segmentada, rastreável e mais fácil de administrar.
O 802.1X é a escolha certa quando o acesso precisa estar ligado a uma identidade individual e revogável. Para quem não tem identidade corporativa, ou para dispositivos sem supplicant, o melhor resultado vem de combiná-lo com outros métodos na mesma infraestrutura.
| Perfil | Método recomendado | Segurança | Experiência do usuário | Esforço da TI |
|---|
| Colaborador com notebook gerenciado | 802.1X com EAP-TLS | Muito alta | Conexão automática | Médio: certificados via MDM |
| Colaborador com celular pessoal | 802.1X com credencial corporativa ou certificado por dispositivo | Alta | Login uma vez, depois automático | Médio |
| Terceiros e prestadores | Credencial temporária com prazo, via 802.1X ou portal | Média a alta | Simples | Baixo, se a expiração for automática |
| Visitantes e clientes | Captive portal em SSID separado | Média | Login rápido | Baixo |
| Impressoras, câmeras e IoT sem supplicant | MAC bypass em VLAN isolada ou senha por dispositivo | Baixa a média | Transparente | Médio: inventário de MACs |
O MAC bypass merece atenção. Ele é a saída mais comum para equipamentos sem suporte ao 802.1X, mas um endereço MAC pode ser copiado. Por isso, esses dispositivos devem ficar em uma VLAN que só alcança o que precisam, como o servidor de impressão. Saiba mais sobre políticas de acesso por MAC.
O 802.1X também não é a melhor escolha quando:
- a rede atende só público externo, como clientes de uma loja ou hóspedes;
- a empresa não tem uma base de identidade organizada;
- a maior parte dos equipamentos é legada e não tem supplicant.
Para o celular pessoal do colaborador, o desafio específico do byod é equilibrar controle e privacidade sem transformar cada conexão em um chamado para a TI.
Como implementar 802.1X na rede corporativa
Implementar 802.1X é preparar cinco peças para conversarem entre si: equipamentos de rede, servidor RADIUS, base de identidade, método EAP e política de acesso. Para a TI, isso significa que a maior parte do trabalho acontece antes de o primeiro usuário se conectar.
- Inventário: confirme que APs e switches suportam 802.1X e WPA2 ou WPA3-Enterprise. Liste os tipos de dispositivo e sistema operacional que vão se conectar. Em Mikrotik, por exemplo, o recurso aparece como dot1x no RouterOS; confirme o suporte no seu modelo e versão.
- Servidor RADIUS: decida entre um servidor próprio ou um serviço na nuvem.
- Fonte de identidade: conecte o RADIUS ao Active Directory, Entra ID, LDAP ou Google Workspace e defina quais grupos viram perfis de acesso.
- Método EAP: escolha EAP-TLS, PEAP ou EAP-TTLS por tipo de dispositivo. Se usar certificados, prepare a PKI e a distribuição via MDM.
- Política: defina VLAN por perfil, tempo de sessão e o tratamento de IoT e terceiros.
- Piloto: comece com um grupo e uma unidade. Meça falhas de login e chamados.
- Expansão: amplie por unidade, mantendo o SSID antigo por um período curto e com data para desligar.
- Monitoramento: ative o accounting, defina a retenção dos registros e acompanhe os motivos de recusa.
Confira alguns conteúdos relacionados à autenticação 802.1x:
RADIUS próprio ou na nuvem?
| Critério | RADIUS próprio (NPS, FreeRADIUS) | RADIUS na nuvem |
|---|
| Infraestrutura | Servidores locais e redundância por conta da TI | Mantida pelo provedor |
| Multiunidade | Exige VPN ou servidor por unidade | Unidades apontam para o mesmo serviço |
| Atualização e segurança | Patches e certificados com a equipe interna | Responsabilidade compartilhada |
| Integração com Entra ID | Limitada sem AD local | Costuma ser nativa |
| Melhor para | Rede única com equipe dedicada | Várias unidades e TI enxuta |
Como integrar o 802.1X ao Active Directory e ao Entra ID
Com Active Directory local, o caminho clássico é o Microsoft NPS consultando o domínio, com PEAP-MSCHAPv2 ou EAP-TLS. Os grupos do AD viram regras: “Financeiro” cai em uma VLAN, “TI” em outra.
Com Entra ID, a lógica muda. O Entra ID não fala RADIUS nativamente, e o PEAP-MSCHAPv2 não funciona com contas que existem só na nuvem, porque o método depende de um formato de senha que o Entra ID não expõe. O caminho mais comum é um RADIUS na nuvem integrado ao Entra ID, com EAP-TLS e certificados distribuídos pelo Intune. Para aprofundar, veja como funciona a identidade no wi-fi corporativo.
Devo ativar a autenticação IEEE 802.1X no Windows?
A opção “Ativar autenticação IEEE 802.1X” aparece na aba Autenticação das propriedades do adaptador de rede cabeada do Windows, quando o serviço de Configuração Automática com Fio está ativo. Ela só deve ser ligada se a porta de switch onde o computador está exige 802.1X.
Em casa ou em uma rede sem 802.1X, a opção não traz benefício. No Wi-Fi, a configuração não fica nessa aba: ela faz parte do perfil da rede, ao escolher WPA2-Enterprise ou WPA3-Enterprise. Em empresas, o ideal é que a TI distribua essa configuração por Group Policy ou MDM, para que o colaborador não precise mexer.
Desafios comuns ao implementar 802.1X
Os desafios de implementar o 802.1X são principalmente operacionais: preparar o servidor RADIUS, distribuir certificados, tratar dispositivos sem supplicant e garantir que o usuário consiga se conectar sem abrir chamado. Em ambientes com várias unidades e fabricantes, cada um desses pontos se multiplica.
- Equipamentos legados: dispositivos e sistemas antigos podem não suportar 802.1X ou WPA3-Enterprise.
- Integração entre AP e servidor: cada fabricante configura RADIUS, VLAN dinâmica e CoA de um jeito.
- Certificados e métodos EAP: erros de cadeia, validade ou nome do servidor são a principal causa de falha de login.
- Onboarding de dispositivos pessoais: sem um processo simples, cada celular novo vira um chamado.
- Experiência do usuário: uma implantação mal planejada gera atrasos e reconexões que afetam a produtividade.
- Gestão multiunidade: sem uma camada central, cada filial vira uma configuração separada para manter.
Erros mais comuns e como diagnosticar
- Certificado do servidor expirado ou não confiável: o dispositivo recusa a conexão. Verifique validade, cadeia e nome configurado no perfil.
- Relógio do dispositivo errado: um certificado válido parece vencido. Confira data, hora e fuso.
- Método EAP diferente entre perfil e servidor: o login falha sem mensagem clara. Compare o método configurado nos dois lados.
- Shared secret divergente entre AP e RADIUS: o servidor descarta as requisições e o AP registra tempo esgotado.
- Usuário fora do grupo da política: o RADIUS responde Access-Reject. O motivo aparece no log de autenticação.
- Credential Guard no Windows 11: redes com PEAP-MSCHAPv2 passam a pedir senha a cada conexão ou falham no login automático.
A regra de ouro do diagnóstico é começar pelo log do RADIUS. Ele mostra se a requisição chegou, qual método foi negociado e por que o acesso foi recusado.
Benefícios da autenticação 802.1X
Os benefícios da autenticação 802.1X vão além de bloquear acessos indevidos: ela entrega identidade, segmentação e rastreabilidade de sessão que nenhuma senha compartilhada consegue oferecer. No contexto corporativo, isso se traduz em menos risco, auditoria mais simples e menos trabalho manual para a TI.
- Acesso negado por padrão: nenhum dispositivo entra sem autenticação, nem pelo Wi-Fi nem por um cabo plugado em uma tomada livre do escritório.
- Identidade individual: cada conexão fica ligada a um usuário ou dispositivo, integrada ao diretório da empresa.
- Segmentação automática: a VLAN é atribuída conforme o perfil, isolando colaboradores, visitantes e IoT sem configuração por porta.
- Revogação centralizada: desativar o usuário no diretório ou revogar o certificado bloqueia o próximo acesso em toda a rede. Sessões ativas podem ser encerradas via CoA.
- Rastreabilidade: os registros de accounting mostram quem acessou, quando e de onde. Isso apoia a governança exigida pela LGPD e, para quem fornece conexão a terceiros, a guarda de registros prevista no marco civil da internet.
- Menos exposição a credenciais vazadas: com certificados, não há senha de rede para vazar. O tema pesa: segundo o Verizon DBIR 2025, credenciais comprometidas foram o vetor inicial em 22% das violações analisadas, dado que cobre ataques em geral, não só Wi-Fi.
Um limite importante: o 802.1X controla quem entra, mas não impede um ataque vindo de um dispositivo já autenticado. Por isso, ele complementa firewall, segmentação e monitoramento, sem substituí-los.
WPA3 e autenticação 802.1X: dupla de peso para redes corporativas seguras
O WPA3-Enterprise é a versão corporativa do WPA3 que usa o 802.1X para autenticar cada usuário e reforça a proteção da conexão. Na prática, o 802.1X responde quem entra e o WPA3 protege o que trafega depois.
Tanto o WPA2-Enterprise quanto o WPA3-Enterprise usam 802.1X. As diferenças estão na camada de proteção:
- Proteção de quadros de gerenciamento (PMF): obrigatória no WPA3, dificulta ataques que desconectam usuários para capturar credenciais.
- Modo de 192 bits: opção do WPA3-Enterprise para ambientes de alta segurança, com criptografia reforçada e uso de EAP-TLS.
- Compatibilidade: dispositivos antigos podem não suportar WPA3. O modo de transição permite conviver com WPA2 durante a migração.
Para empresas que estão renovando a rede ou precisam atender auditorias, o caminho natural é o WPA3 com 802.1X e EAP-TLS. Onde ainda há equipamentos legados, o WPA2-Enterprise com validação de certificado do servidor continua sendo uma base sólida.
802.1X, NAC e controle de acesso Wi-Fi: como se complementam
NAC (Network Access Control) é a categoria de soluções que decide quem e o que entra na rede, e o 802.1X é o mecanismo mais usado por elas para fazer essa checagem. No contexto corporativo, isso significa que o 802.1X pode funcionar com ou sem um NAC completo.
- 802.1X: autentica e autoriza com base na identidade.
- NAC completo: soma ao 802.1X a avaliação de postura (antivírus, atualizações), o perfilamento de dispositivos e a remediação.
- Camada de controle de acesso wi-fi: foca em autenticação por perfil, políticas, registros e gestão de várias unidades sobre a infraestrutura existente. Pode coexistir com um NAC, por exemplo cuidando de BYOD, terceiros e visitantes enquanto o NAC cuida dos notebooks corporativos.
O protocolo também segue relevante nas tendências de rede:
- Zero Trust: o 802.1X é uma das peças de identidade de uma arquitetura Zero Trust, mas não é, sozinho, uma arquitetura completa.
- Conexão sem fricção entre redes: padrões como passpoint e OpenRoaming usam EAP para conectar o usuário automaticamente, sem portal nem senha.
- Autenticação sem senha: o EAP-FIDO, baseado em chaves FIDO2, está em discussão no IETF e ainda não é um padrão publicado.
O que avaliar em uma solução de autenticação 802.1X
Uma solução de autenticação 802.1X é o conjunto de servidor RADIUS, integrações de identidade e gestão de políticas que coloca o padrão em produção. Para a TI corporativa, avaliar bem significa olhar além do protocolo: quanto trabalho a solução cria ou elimina no dia a dia.
- RADIUS: próprio ou como serviço, com alta disponibilidade.
- Identidade: integração com Active Directory, Entra ID, ldap e Google Workspace.
- Fabricantes: compatibilidade com os APs e switches que a empresa já tem, inclusive em ambientes com marcas diferentes.
- Certificados: suporte a EAP-TLS e a um onboarding simples para dispositivos pessoais.
- Políticas: VLAN dinâmica, tempo de sessão e regras por grupo.
- Revogação: bloqueio imediato via diretório, certificado ou CoA.
- Registros: logs de autenticação e accounting com retenção e exportação.
- Escala: gestão centralizada de todas as unidades em um painel.
- Métodos complementares: captive portal, voucher e MAC para quem não usa 802.1X, no mesmo lugar.
- Suporte: atendimento em português, com tempo de resposta definido.
Esses critérios ajudam a comparar opções dentro do pilar de autenticação wi-fi corporativa, que reúne todos os métodos usados nas empresas.
Perguntas frequentes sobre 802.1X
1- O que é autenticação 802.1X? A autenticação 802.1X é um protocolo de controle de acesso à rede que valida a identidade de usuários ou dispositivos antes de liberá-los para conexão.
2- Qual a diferença entre 802.1X e RADIUS? O 802.1X é o padrão que bloqueia a porta e define como as credenciais trafegam entre o dispositivo e a rede. O RADIUS é o protocolo do servidor que recebe essas credenciais, valida na base de identidade e devolve a decisão. No Wi-Fi corporativo, os dois trabalham juntos.
3- Preciso trocar meus access points ou switches para usar 802.1X? Na maioria dos casos, não. APs e switches gerenciáveis de linha corporativa costumam suportar 802.1X e WPA2-Enterprise. A troca só é necessária em equipamentos domésticos ou muito antigos. Vale checar o suporte a VLAN dinâmica e CoA, que varia por modelo.
4- O 802.1X funciona com Entra ID? Funciona, mas não diretamente. O Entra ID não fala RADIUS, então é preciso um servidor RADIUS integrado a ele, normalmente na nuvem. Para contas que existem só na nuvem, o método recomendado é EAP-TLS com certificados distribuídos pelo Intune.
5- Posso usar 802.1X junto com outras soluções de segurança na rede? Sim. O 802.1X é complementar a firewalls, antivírus, segmentação de rede e outras práticas de segurança.
6- Qual a diferença entre 802.1X e VPN? São tecnologias complementares. O 802.1X controla o acesso à rede local: decide se o dispositivo pode se conectar e com qual perfil. A VPN criptografa o tráfego entre o dispositivo e a rede corporativa a partir de outro local, normalmente depois que ele já está conectado à internet.
Como o WiFeed simplifica a autenticação 802.1X
O WiFeed é uma plataforma de controle de acesso e autenticação Wi-Fi que funciona como camada de software sobre os APs, controladoras e switches que a empresa já possui. Para quem precisa de 802.1X, isso significa colocar o padrão em produção sem montar e manter sozinho a infraestrutura de autenticação.
Para empresas corporativas e enterprise (ICP Primário):
- RADIUS gerenciado pelo WiFeed, integrado ao Active Directory, LDAP, Google Workspace e Entra ID.
- Compatibilidade com a infraestrutura homologada de fabricantes como Cisco, Aruba, Fortinet, Ruckus, Ubiquiti, TP-Link, Mikrotik e mais, sem troca de hardware;
- Políticas por perfil: VLAN dinâmica, tempo de sessão, janelas de horário e limite de conexões simultâneas.
- Certificado por dispositivo e revogação centralizada para colaboradores e BYOD;
- Métodos complementares no mesmo painel: captive portal, voucher, login social e regras por MAC para visitantes e terceiros;
- Registros de autenticação com quem acessou, quando, de onde e por qual método.
- Gestão centralizada de todas as unidades, com relatórios por grupo de locais.
O WiFeed não substitui APs, controladoras ou firewall e não faz avaliação de postura de dispositivos. Por isso, também convive com um NAC já existente, assumindo os perfis que o NAC não cobre bem, como BYOD, terceiros e visitantes.
Coloque o 802.1X em produção sem montar tudo do zero
O 802.1X é a forma mais sólida de tirar a senha compartilhada da rede corporativa. O trabalho pesado está em manter RADIUS, certificados, políticas e registros funcionando em todas as unidades, com fabricantes diferentes.
O WiFeed assume essa camada sobre a infraestrutura que você já tem. Quer saber como? Agende uma demonstração da plataforma do WiFeed e veja como autenticar colaboradores, terceiros e visitantes a partir de um único painel.