Você tem 5G no bolso e Wi-Fi em quase todo lugar que entra.
Mesmo assim, a cada loja, hospital ou escritório, o celular trava no mesmo ritual: sair do 5G, abrir o Wi-Fi, preencher cadastro no captive portal, aceitar termos.
Foi exatamente esse incômodo que Bruno Guimarães, CEO da WiFeed, trouxe para o centro do debate em dois palcos importantes do setor nos últimos meses: a Smart City Expo Curitiba e o 9º Fórum de Operadoras Inovadoras, promovido por Mobile Time e Teletime.
O tema da palestra resume o problema com precisão: o paradoxo da hiperconectividade desconectada.
Temos mais redes do que nunca. E elas continuam não conversando entre si.
Neste conteúdo, você vai entender:
- Como o WiFeed já aplica essa integração no dia a dia
- Por que existe esse “muro invisível” entre 5G e Wi-Fi
- O que falta, na prática, para essas redes se integrarem de verdade
- O que isso significa para operadoras e para quem gerencia rede corporativa
Boa leitura!
Wi-Fi e o 5G: um muro invisível entre as duas tecnologias
Na Smart City Expo, em Curitiba, Bruno Guimarães foi direto ao apontar o problema central dessa relação. Segundo ele, as redes Wi-Fi e 5G precisam conversar, porque hoje existe um muro invisível entre as duas tecnologias, que coexistem mas não trocam informação, fazendo o usuário preencher cadastro toda vez que sai de uma rede para entrar na outra.
Essa frase carrega o ponto central da tese dele: o problema não é falta de tecnologia. É falta de integração entre tecnologias que já existem. →Leia a matéria completa aqui
O usuário não distingue rede. Ele só quer continuar conectado
Do ponto de vista de quem está com o celular na mão, 5G e Wi-Fi são a mesma coisa: internet.
Mas para a infraestrutura por trás dessa experiência, são dois universos com:
- Protocolos de autenticação diferentes
- Donos de rede diferentes (operadora x empresa/ISP)
- Processos de login completamente distintos
Essa desconexão técnica é o que gera a fricção que o usuário sente na pele, mesmo sem entender exatamente o motivo.
Passpoint já resolve isso. Por que ainda não usamos?
O ponto mais relevante da fala de Bruno Guimarães não é o diagnóstico do problema. É a constatação de que a solução técnica já está pronta.
Por isso, o CEO da WiFeed projeta um caminho de adoção em etapas. Primeiro, a tecnologia deve ganhar tração no B2B, puxada por early adopters como varejistas e shoppings que queiram entregar uma experiência de conexão melhor para seus clientes. Só depois, em um segundo momento, operadoras devem capturar ganhos com publicidade a partir dessa infraestrutura compartilhada.
Mas o fator que realmente deve acelerar a adoção é outro: segurança. O sistema de offload permite uma verificação em via dupla, na qual a rede autentica o usuário e o usuário também autentica a rede, reduzindo o risco de conexões fraudulentas em ambos os lados.
OpenRoaming: o padrão que já conecta cidades inteiras
Enquanto o Passpoint resolve a autenticação automática em uma rede específica, o OpenRoaming resolve um problema maior: a portabilidade dessa autenticação entre redes diferentes, em qualquer lugar do mundo.
Esse movimento, já visto pelo CEO do WiFeed, vem ganhando corpo fora do Brasil. Segundo o executivo, cidades inteligentes com redes públicas de Wi-Fi provavelmente vão aderir ao projeto de OpenRoaming criado pela WBA, que consiste na criação de uma rede global de Wi-Fi para acesso automático, na qual o usuário autenticado uma vez entra automaticamente em qualquer outra rede do projeto, mesmo estando no exterior.
O Japão já está fazendo isso em escala
Esse não é um cenário hipotético. No Japão, 12 cidades já aderiram ao OpenRoaming, somando mais de 1 mil locais públicos com hotspots OpenRoaming e 1,5 mil cabines telefônicas conectadas.
E o volume de Wi-Fi público só deve crescer daqui para frente. A Cisco estima que existam hoje 950 milhões de hotspots de Wi-Fi público no mundo, número que deve crescer para 3,1 bilhões em 2030.
Esse crescimento reforça o argumento central de Guimarães: sem um padrão de autenticação automático e federado, cada um desses bilhões de pontos de acesso continuará exigindo cadastro manual do usuário, um problema que se multiplica na mesma proporção que a infraestrutura.
Por que isso ainda não virou padrão de mercado
No Fórum de Operadoras Inovadoras, em São Paulo, o CEO do WiFeed detalhou melhor onde está o gargalo. Ele afirmou que esse tipo de integração entre redes já foi estabelecido pelo regramento técnico do 3GPP, que permite criar uma ponte para transferir usuários da rede celular para o Wi-Fi, mas que as operadoras ainda têm trabalho a fazer, como abrir o core de rede para viabilizar essa integração.
Em resumo, três frentes precisam avançar juntas:
- Padrão técnico, já maduro e definido pelo 3GPP e pela WBA
- Abertura do core de rede pelas operadoras
- Adoção por parte de empresas e ISPs na ponta Wi-Fi
O que as operadoras ganham ao resolver essa integração
Para quem opera rede celular, essa não é uma discussão filosófica. É uma equação de negócio.
De acordo com Guimarães, a intersecção entre 5G e Wi-Fi permite que as operadoras ampliem cobertura e capacidade de rede com um investimento menor, ao mesmo tempo que reduzem o churn por meio da diminuição das áreas sem sinal.
Isso se traduz em ganhos concretos:
- Menos investimento em densificação de antenas indoor
- Redução de áreas de sinal fraco, que afetam diretamente a percepção de qualidade
- Diferenciação competitiva em um mercado de margem cada vez mais pressionada
Se você quer entender em profundidade como esse mecanismo técnico funciona, o WiFeed já detalhou o funcionamento completo do Wi-Fi Offload, incluindo a relação entre Passpoint e OpenRoaming.
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O impacto direto na rede guest e BYOD
Quando uma empresa tem Wi-Fi pronto para Passpoint, ela se torna parte ativa desse ecossistema de conectividade contínua.
Isso vale tanto para visitantes quanto para a rede BYOD (Bring Your Own Device), aquela em que colaboradores e parceiros usam seus próprios celulares e notebooks para acessar a infraestrutura da empresa.
Na prática, isso significa:
- Visitantes se conectam automaticamente, sem formulário repetido
- Colaboradores autenticam via certificado, sem digitar senha
- A operação de TI não precisa lidar com chamados de “Wi-Fi não conecta”
- A rede ganha compatibilidade com OpenRoaming, padrão global de roaming Wi-Fi
Esse é exatamente o tipo de cenário que o artigo sobre Hotspot 2.0 e Passpoint explica em detalhe técnico, do ponto de vista de implementação.
Perguntas frequentes
1- O que significa “5G e Wi-Fi não se integram”? Significa que, apesar de coexistirem no mesmo dispositivo, essas redes usam sistemas de autenticação separados. O usuário precisa interromper a navegação, abrir o Wi-Fi manualmente e muitas vezes preencher cadastro, em vez de ter uma transição automática entre as duas tecnologias.
2- Passpoint resolve esse problema de integração? Sim. O Passpoint permite que o dispositivo se autentique automaticamente em uma rede Wi-Fi usando credenciais já existentes, como o SIM card, eliminando a etapa manual de login ou formulário.
3- Passpoint e OpenRoaming são a mesma coisa? Não. O Passpoint é o padrão de autenticação automática usado em uma rede Wi-Fi específica. O OpenRoaming é o projeto da WBA que torna essa autenticação válida em qualquer rede participante do mundo, permitindo que o usuário se conecte automaticamente mesmo viajando para outro país.
4- Por que o varejo deve adotar essa tecnologia antes das operadoras? Porque, segundo a visão do CEO da WiFeed, a adoção tende a começar pelo B2B, com early adopters como varejistas e shoppings interessados em melhorar a experiência de conexão dos clientes, antes que as operadoras consolidem modelos de monetização como publicidade sobre essa infraestrutura.
5- Minha empresa precisa esperar as operadoras para ter Wi-Fi sem fricção? Não. Empresas, como WiFeed, podem implementar Passpoint e OpenRoaming na própria rede Wi-Fi corporativa hoje, independente do avanço das operadoras, melhorando a experiência de visitantes e colaboradores desde já.
6- Esse modelo de autenticação é mais seguro que o cadastro tradicional? Sim. O sistema permite autenticação mútua: a rede confirma a identidade do usuário e o usuário confirma que está se conectando a uma rede legítima, reduzindo riscos de fraude em ambas as direções.
Como o WiFeed entra nessa conversa entre 5G e Wi-Fi
O WiFeed não fica de fora dessa discussão porque foi quem a trouxe ao centro do debate público no Brasil.
A plataforma já trabalha com Passpoint e OpenRoaming na prática, permitindo que empresas e provedores ofereçam:
- Autenticação automática e segura, sem fricção para o usuário final
- Compatibilidade com mais de 20 fabricantes de access points, sem trocar infraestrutura
- Conformidade com LGPD e Marco Civil, mesmo em conexões automáticas
- Integração com SSO, AD e outros sistemas corporativos
A WiFeed já realiza testes com Passpoint em setores como hospitalidade e educação, validando na prática os mesmos princípios defendidos nos palcos do setor.