Configurar Hotspot MikroTik é essencial para quem deseja oferecer acesso controlado à internet em redes públicas ou comerciais. Este artigo explica, de forma prática e detalhada, como configurar Hotspot no MikroTik, abordando desde os passos iniciais até as principais opções de autenticação e gerenciamento.
Se você busca transformar sua rede Wi-Fi corporativa em uma ferramenta de marketing e segurança, o MikroTik é uma das soluções de hardware mais completas do mercado.
Aprenda o passo a passo para configurar o Hotspot no MikroTik utilizando a inteligência da WiFeed, cobrindo os três cenários mais comuns: Porta Física, Bridge e VLAN.
O que é Hotspot no MikroTik
O Hotspot MikroTik é o recurso nativo do RouterOS que controla o acesso à rede exigindo autenticação via captive porta, garantindo rastreabilidade e segurança desde a conexão.
Configurá-lo é o ponto de partida. Quando integrado à WiFeed, o MikroTik ganha conformidade com a LGPD, Social Login e gestão centralizada, que transforma o Wi-Fi corporativo em um ativo estratégico.
O que você vai precisar para configurar o Hotspot no MikroTik
Antes de começar qualquer um dos três cenários, tenha em mãos:
- Roteador MikroTik com RouterOS atualizado
- Winbox instalado no computador de gerenciamento
- Acesso administrativo ao equipamento
- Uma conta ativa na plataforma WiFeed — é por ela que os arquivos de configuração do Hotspot Wi-Fi são gerados
- Conhecimento básico das interfaces físicas do seu equipamento (ether1, ether2, ether3…)
💡 Importante: cada Hotspot criado dentro de um único MikroTik precisa ter um nome diferente na plataforma WiFeed. Isso evita conflitos de configuração entre os cenários.
Precisa revisar as configurações básicas do RouterOS antes de continuar? Acesse o guia completo na nossa Central de Ajuda: Configurações básicas do RouterOS MikroTik
📺 Este artigo é baseado no nosso vídeo tutorial. Assista abaixo e siga junto com o guia.
Topologia usada neste guia
A topologia base usada no vídeo é simples e replicável na maioria dos cenários reais:
- ether1 → entrada de internet (WAN)
- ether2 → conexão com o notebook de configuração
- ether5 → saída para o AP no Cenário 1 (porta física)
- ether4 → porta adicionada à bridge no Cenário 2
- ether3 → interface pai da VLAN no Cenário 3
O AP utilizado é um TP-Link operando em modo bridge.
A lógica de configuração no MikroTik
A configuração do hotspot MikroTik com WiFeed segue sempre a mesma sequência, independente do cenário. O que muda é apenas a interface de saída (LAN) definida nas configurações avançadas:
- Criar o equipamento na plataforma WiFeed (Configurações → Locais → local desejado → + novo aparelho → tipo MikroTik)
- A chave de identificação do hotspot é gerada automaticamente ao salvar
- Acessar as Configurações Avançadas e definir: IP, máscara, range DHCP, DNS e interface de saída (LAN)
- Baixar o pacote
.zip com os arquivos de configuração
- Extrair o
.zip — você usará apenas: autoconfig, revert e a pasta WiFeed (com a chave do hotspot)
- Copiar os arquivos para a pasta
flash no File List do Winbox (se o equipamento não tiver pasta flash, use a raiz)
- Executar o script no terminal:
import flash/autoconfig
- Validar em IP > Hotspot que o servidor foi criado
- Conectar um dispositivo ao SSID e confirmar o Captive Portal
⚠️ Regra fundamental ao rodar múltiplos hotspots no mesmo MikroTik: cada equipamento criado na WiFeed deve ter um nome diferente, e cada hotspot deve usar uma faixa de IP diferente. Sem isso, haverá conflito de configuração.
Cenário 1: Configuração em Porta Física (Direct Access)
O cenário mais simples: O hotspot é configurado diretamente em uma porta física do MikroTik, sem bridge ou VLAN. Ideal para instalações com um único Access Point conectado diretamente a uma porta do roteador via injetor PoE.
Saída utilizada: ether5 → injetor PoE → AP
Passo a passo
1. Crie o equipamento na WiFeed
Acesse Configurações → Locais → selecione o local → clique em + para adicionar aparelho. Nomeie como mikrotik-porta-fisica, selecione o tipo MikroTik e salve. A chave de identificação é criada automaticamente.
Clique na engrenagem de Configurações Avançadas e defina:
- Endereço IP:
192.168.10.1
- Máscara:
/24
- Range de IP (DHCP):
192.168.10.2 até 192.168.10.254
- DNS: padrão Google
- Interface de entrada (WAN):
ether1
- Interface de saída (LAN):
ether5 (copie diretamente do Winbox para evitar erro de digitação)
- VLAN ID: deixe em branco
Salve as configurações.
4. Copie os arquivos para o MikroTik
No Winbox, abra o File List e acesse a pasta flash. Arraste os 3 itens diretamente para dentro dela. Se o equipamento não tiver pasta flash, suba os arquivos na raiz.
5. Execute o script
Abra o New Terminal no Winbox e execute:
textimport flash/autoconfig
Use Tab para autocompletar o caminho e evitar erros. O terminal exibirá uma mensagem confirmando que o script rodou com sucesso.
6. Valide o hotspot
Acesse IP > Hotspot — o servidor estará listado sobre a ether5. Conecte um celular ao SSID do AP: o captive portal da WiFeed deve aparecer automaticamente.
Cenário 2: Hotspot em Bridge
Neste cenário, o hotspot é configurado sobre uma interface bridge. É bastante útil quando você precisa agrupar múltiplas portas físicas em uma interface lógica única, como em redes com mais de um AP na mesma VLAN ou segmento.
⚠️ Atenção: a faixa de IP deste cenário deve ser diferente da usada no Cenário 1.
Passo a passo
1. Crie a bridge no Winbox
Acesse Interface → + → selecione Bridge. Nomeie como hotspot e confirme com OK.
2. Crie o equipamento na WiFeed
Adicione um novo aparelho no mesmo local. Nomeie como mikrotik-bridge, selecione o tipo MikroTik e salve. Acesse as Configurações Avançadas e defina:
- Endereço IP:
192.168.0.1
- Máscara:
/24
- Range de IP (DHCP):
192.168.0.2 até 192.168.0.254
- Interface de saída (LAN):
hotspot (copie o nome exato da bridge criada no Winbox)
- VLAN ID: deixe em branco
Salve e atualize o navegador antes de baixar os arquivos para garantir que nenhum cache interfira.
- Copie normalmente:
autoconfig e revert → para dentro da flash
- Abra a pasta WiFeed do
.zip → copie apenas a chave deste hotspot → arraste para dentro da pasta wifeed que já existe na flash do equipamento
Agora o MikroTik terá duas chaves dentro da pasta wifeed: a do Cenário 1 e a do Cenário 2.
4. Execute o script correto
No terminal, identifique a chave do Cenário 2 — ela inicia com o prefixo rgc. Execute:
textimport flash/autoconfig-rgc[Tab]
Use Tab para autocompletar. O script confirmará sucesso.
5. Adicione uma porta à bridge e teste
Acesse Bridge → Ports → + e adicione a ether4 à bridge hotspot. Mude o cabo do AP da ether5 para a ether4. Confirme em IP > Hotspot — dois servidores devem estar listados: o da ether5 e o da bridge hotspot. Conecte o celular ao SSID e o captive portal subirá.
Cenário 3: Hotspot em VLAN
O cenário mais avançado e mais utilizado em redes corporativas e ISPs. O hotspot é configurado sobre uma VLAN, permitindo segmentação lógica da rede sem precisar de uma porta física dedicada por SSID.
⚠️ Atenção: a faixa de IP deve ser diferente dos dois cenários anteriores.
Passo a passo
1. Criação da VLAN no MikroTik
Acesse Interface → + → selecione VLAN. Defina:
- Nome:
hotspot-vlan
- VLAN ID:
200
- Interface pai:
ether3 (porta conectada ao AP)
Confirme com OK. A interface VLAN ficará listada abaixo da ether3.
2. Crie o equipamento no WiFeed
É fundamental que o seu Access Point suporte VLANs. Configure o SSID de visitantes para taguear o tráfego com o mesmo ID (200).
Repita o processo. Nomeie como mikrotik-vlan e defina:
- Endereço IP:
192.168.251.1
- Máscara:
/24
- Range de IP (DHCP):
192.168.251.2 até 192.168.251.254
- Interface de saída (LAN):
hotspot-vlan (copie o nome exato do Winbox)
- VLAN ID:
200
Salve e atualize o navegador antes de baixar os arquivos.
- Copie
autoconfig e revert → para dentro da flash
- Copie apenas a chave deste hotspot → para dentro da pasta
wifeed já existente na flash
4. Execute o script da VLAN
A chave do Cenário 3 inicia com o prefixo hv. No terminal:
textimport flash/autoconfig-[chave-ehv]
O script confirmará sucesso. Valide em IP > Hotspot — três servidores devem estar listados.
Para identificar o IP do AP, acesse IP > DHCP Server > Leases no Winbox.
💡 No vídeo, foi criada uma bridge de gerência temporária com as portas ether2 (notebook) e ether3 (AP) para ter acesso ao AP antes de aplicar a VLAN. Esse é um truque útil para ambientes em produção onde o Access Point já está em campo.
Acesse a interface web do AP (TP-Link). Em Wireless Settings → VLAN:
- 2.4 GHz: habilite a VLAN e defina o ID
200
- 5 GHz: habilite a VLAN e defina o ID
200
Salve as configurações.
6. Remova a porta da bridge de gerência
Volte ao Winbox e acesse a bridge de gerência temporária. Remova a ether3 das suas portas para evitar conflitos. Confirme que a hotspot-vlan está listada abaixo da ether3 nas interfaces.
7. Teste final
Conecte um dispositivo ao SSID da WiFeed. O captive portal deve subir e o IP entregue deve ser da faixa 192.168.251.x.
| Comparativo 3 cenários | Porta Física | Bridge | VLAN |
|---|
| Interface de saída | ether5 | bridge hotspot | hotspot-vlan (ID 200) |
| Faixa de IP usada | 192.168.10.0/24 | 192.168.0.0/24 | 192.168.251.0/24 |
| Complexidade | Baixa | Média | Alta |
| Segmentação lógica | Não | Não | Sim |
| Configuração no AP | Não necessária | Não necessária | Sim (VLAN ID 200) |
| Indicado para | Instalações simples | Múltiplos APs no mesmo segmento | Redes corporativas e ISPs |
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Gerenciando Múltiplos Hotspots no Mesmo MikroTik
Ao rodar mais de um hotspot no mesmo equipamento, dois cuidados são obrigatórios:
- Nomes únicos para cada equipamento criado na WiFeed: sem isso, há conflito de identificação
- Faixas de IP diferentes para cada hotspot: nunca reutilize o mesmo range em dois servidores no mesmo MikroTik
- Ao copiar os arquivos na segunda ou terceira configuração, não substitua a pasta
wifeed inteira: adicione apenas a nova chave dentro dela
Seguindo essas regras, o MikroTik consegue rodar quantos hotspots forem necessários, cada um em sua respectiva interface: Porta, Bridge ou VLAN.
Perguntas e Respostas
1- Qual a diferença entre as portas WAN e LAN no MikroTik? Geralmente, a WAN é a porta que recebe o link de internet (onde configuramos o DHCP Client), e as LANs são as portas que distribuem a rede para os usuários. É comum usar a ether1 como WAN e as demais como LAN ou em uma Bridge.
2- Posso usar o Hotspot do MikroTik com o WiFeed? Sim! O MikroTik é uma das plataformas mais robustas para integração com o WiFeed. Ao utilizar o RouterOS como gateway, você pode habilitar o portal de autenticação da WiFeed via protocolo RADIUS, garantindo uma gestão inteligente de usuários, coleta de dados e conformidade total com a LGPD.
3- O que é o Walled Garden no MikroTik e como configurar? O Walled Garden permite liberar o acesso a URLs e IPs específicos sem exigir autenticação no captive portal. É ideal para portais de autoatendimento, endpoints da WiFeed e páginas de termos de uso. Veja o guia completo na Central de Ajuda
4- Como liberar um dispositivo para acessar a rede sem passar pelo captive portal no MikroTik? possível liberar dispositivos específicos — como impressoras, câmeras ou equipamentos de monitoramento — sem exigir autenticação no captive portal usando o recurso de Bypass no MikroTik. A liberação é feita pelo endereço MAC do dispositivo diretamente na plataforma WiFeed, sem necessidade de alterar manualmente o RouterOS.
5- O hotspot MikroTik configurado com a WiFeed é compatível com qualquer modelo de access point? Sim. A configuração do hotspot é feita no MikroTik. Já o Access Point funciona apenas como antena, transmitindo o sinal da interface configurada (porta física, bridge ou VLAN). Qualquer AP que suporte o modo bridge é compatível. No cenário de VLAN, o AP precisa suportar a configuração de VLAN ID no SSID, como demonstrado no vídeo com o AP TP-Link.
Por que usar a WiFeed no MikroTik?
A WiFeed é uma plataforma SaaS que elimina a complexidade da configuração manual do hotspot MikroTik, centralizando a gestão de autenticação, usuários e monitoramento em um único painel:
- Captive portal personalizável com identidade visual da sua empresa ou cliente
- Gestão centralizada de usuários e perfis de acesso
- Dashboard e relatórios de sessões, dispositivos e tráfego em tempo real
- Configuração via script automatizado, sem risco de erro manual no RouterOS
- Multi-site: gerencie dezenas de equipamentos MikroTik em locais diferentes de uma só tela
- Compatível com os três cenários: porta física, bridge e VLAN
Precisa liberar um equipamento específico sem autenticação? Saiba como configurar o Bypass: Liberação de equipamento Bypassed no MikroTik
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